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27 April 2013 @ 05:15 am
 
Nos últimos dias ando repassando e repensando muito da minha relação com entretenimento e fandom, de tudo que livros, filmes, jogos, quadrinhos e seus respectivos fanworks trouxeram pra minha vida.

(spoiler: foi muita coisa.)

Não vou fazer uma real análise sobre o assunto, mas gostaria de deixar alguns comentários registrados aqui.


Como muita gente nesse mundo, sempre fui movida a paixões. Nunca vi objetivo em algo que não envolvesse um amor profundo, um grande aprendizado, ódio, luxúria ou o que fosse, desde que fosse imenso. Não gosto de fazer as coisas à toa, o que me faz não fazer nada com uma grande frequência. Pouco esforço, pouco amor, não, obrigada. Gosto do fascínio, da entrega completa, de estar 100% ali.

Claro que nem sempre isso é possível; preciso, por exemplo, comer, o que significa trabalhar e tal. Mas, num geral, todas as minhas escolhas nascem de um princípio simples: a vida é curta. Muito, muito, muito curta. Curta demais pra que eu faça qualquer coisa sem um objetivo claro (e "algum dia isso vai ser útil" não serve) ("isso vai ser imensamente divertido" serve).

Desde criança sempre tive sorte de me apaixonar por coisas interessantes; o curso e o campus que escolhi na faculdade, por exemplo, são absolutamente encantadores. Não há nada neles que eu mudaria, exceto talvez a distância entre o campus e minha casa. E algumas questões políticas, também, mas isso não vem ao caso. Toda essa parte sobre vida real também não interessa, embora eu esteja em um processo de pensar também nessas coisas (e tenho me surpreendido positivamente. You go, girl).

O importante é que o que sempre me interessou no fandom é a recusa em aceitar passivamente, de longe. Estar em um fandom, para mim, é consumir arte/entretenimento e, gostando ou não, aproveitar o direito e a liberdade de não ficar em silêncio. É tomar parte o que se ama em um post de blog, um fórum, um meta; iniciar uma discussão, um podcast, uma análise, uma resenha aprofundada, fanfic, fanart, fanvideo, RP, RPG, música, fanmix, HQ, manip, cosplay. Hoje, nós nos fortalecemos como agentes ativos do entretenimento que consumimos e isso é um grande privilégio. Mesmo quando eu não posso (ou não quero) fazer parte como um agente ativo, eu estou lá. É como minha mente funciona, é como eu aprendi a pensar. Muito mais do que um conjunto de ações, o fandom é um modo de ver o mundo.

No começo eu achava meio humilhante, concordava em partes com quem achava tudo isso uma grande besteira, uma perda de tempo. Hoje sinto pena de quem acha isso, de verdade. Perda de tempo é passar pela vida (e pela arte e pelo entretenimento, esteja a diferença onde estiver) sem tirar daquilo o máximo possível, sem ir até o fim em sonhar junto os sonhos que consome. Sem perceber que o que você aprende com tudo isso não há nada no mundo que vá trazer, muito menos de forma tão divertida.

Talvez eu só esteja ficando velha e nostálgica.


“It was a better life. I don’t mean all the travelling - seeing aliens and spaceships and things, that don’t matter. The Doctor showed me a better way of living your life. You know, he showed you too! That you don’t just give up. That you don’t just let things happen. You make a stand. You say no. You have the guts to do what’s right when everyone else just runs away.
- Rose Tyler
Doctor Who: Episode 1.13, The Parting of the Ways

 
 
mood: peacefulpeaceful
music: The Liar, Trouble Over Tokyo